Consultado pela reportagem, o advogado J. Pires confirmou que a maioria das leis orgânicas veta a participação em licitações de parentes até o terceiro grau de funcionários da entidade que contrata o serviço. De acordo com documentação colocada à disposição do denunciante, a J.G. Comercial teria recebido, em 2011, pagamentos que variaram de R$ 169 a R$ 8,2 mil e teria prestado diversos serviços, desde o fornecimento de merenda escolar até salgados e refrigerantes para a oficina de aula de violão no ProJovem do povoado de Estiva. A mesma localidade é descrita no cadastro de contribuintes como sede da empresa, mas o relatório de uma diligência realizada por um funcionário da Superintendência de Administração Tributária (SAT), da Secretaria da Fazenda (Sefaz), aliada a depoimentos de moradores, garante que “nunca houve estabelecimento comercial” com tal denominação no endereço mencionado.
O parecer fez o vereador Gean acreditar que a companhia seria fantasma. “Mesmo que ela existisse, de qualquer forma, não poderia participar da licitação. O mais incrível é que boa parte desse dinheiro é verba federal, do Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação]”, acusou o peemedebista ao BN. O vereador contou ainda ter sido ameaçado devido às denúncias feitas. Segundo ocorrência feita pelo edil na Coordenadoria Regional da Polícia Civil em Seabra, alguém teria lhe dito por telefone em ligação feita no dia 17 de março que iria “acabar com a sua vida” por ter feito acusações contra ele e seus “colegas”. No depoimento à polícia, Gean afirmou ter certeza que o autor das ameaças foi Josenar.
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